• by Graça Mestre

Etapas do Despertar



Etapas do despertar




Há quem diga que o despertar é um momento e ficas em êxtase para o resto da vida. Não o vejo dessa forma mas reconheço que possa ter sido assim para algumas pessoas. Essa é uma forma de ilusão da nova era, que te mantem distante do processo porque o vês como algo inalcançável e restrito a alguns “iluminados”.

No primeiro momento o despertar cria dentro de ti uma verdadeira revolução incontrolável, imprevisível, desafiadora e desconcertante. Uma desidentificação com a vida que conhecias e que parecia normal viveres, dá início. Uma forte sensação de morte iminente, a morte do ego, mas que sentes como a tua própria morte, chega tão forte que te pode destabilizar, porque o ego vai resistir e fazer-te sofrer, até que te rendas. Vai questionar-te:


- Queres mesmo a verdade?

- Estás pronto para a verdade?

- Queres mesmo pagar o preço de ser livre?


E não importa a tua resposta, tu não controlas o processo, ele vai mesmo acontecer porque chegou o teu momento, tu estás pronto.


À medida que este processo avança, entendes que ser essa consciência una não é algo que te possas tornar, é algo que já existe em ti e se torna consciente. É algo que sempre foste, sempre esteve aí. Uma enorme dose de desapego e impessoalidade começam a fluir nos teus circuitos energéticos e todos à tua volta se tornam iguais pra ti e um enorme Amor emana de ti.


Nesta fase o ego ainda tem muita força e vai fazer-te andar entre aquilo que eu chamo do “perfeito idiota”, ou seja o ego no controlo trazendo, por um lado, as tuas insegurança, dúvidas e medos e fazendo-te acreditar que és especial e melhor do que outros porque vives algo que poucos alcançam. E por outro, a verdade que acontece em ti, que nada mais é do que a Vida que te atravessa, trazendo todo o amor e alegria que isso implica. E vives com um pé de cada lado, por algum tempo.


Mais à frente, num momento em que tudo isto já amadureceu, percebes que és eterno e ilimitado. És o NADA e o TUDO. A descoberta disso liberta-te dos medos, principalmente do medo da morte, e de todas as carências que possas ter, tomando consciência de que és e sempre foste um ser completo e que a paz está em ti. O hábito de procurar fora de ti pela paz, alegria e pela felicidade não desaparece de imediato, vai gradualmente desaparecendo à medida que vais integrando essa certeza de eternidade.

O despertar não é algo como habitualmente nos fazem acreditar, como um estado de imediata e permanente plenitude. É algo que se vai instalando, vais continuar a ter, por hábito, durante algum tempo ou até manter, momentos de irritação, frustração, sentimentos menos elevados mas que duram cada vez menos porque já não há nada em ti que mantenha a identificação com eles.


Com o decorrer do processo de integração da eternidade que és, uma enorme paz e serenidade vão-se instalando e nada as pode perturbar. De início parecerão estar num plano de fundo e com o tempo permearão todos os teus pensamentos, emoções e ações alterando a forma como te relacionas, percebes e ages. São efeitos de estares a tomar consciência do divino em ti.


Num momento posterior, aprendes a trazer para a tua vida esse novo conhecimento de quem tu realmente és, transformando toda a tua experiência. A forma como sentes, pensas e percebes o mundo, muda de forma a refletir no exterior o divino que reconheces em ti. Este é também um processo gradual. Aos poucos vais recuperando a tua divindade e nada te poderá retirar desse estado de unidade com o todo.


Graça Mestre


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